Iron Maiden entrega noite histórica e extremamente energética em Curitiba
Tem coisas que parecem desafiar o tempo. Uma delas é ver o Iron Maiden subir ao palco em 2026 e entregar uma apresentação com a energia de uma banda que ainda está descobrindo o que é tocar rock.
Na noite desta quarta-feira, 28 de outubro, mais de 35 mil pessoas lotaram a Arena da Baixada, em Curitiba, para acompanhar a passagem da Run For Your Lives World Tour 2026, turnê que celebra os 50 anos de carreira do Iron Maiden.
E o que aconteceu no estádio foi exatamente o que um fã de rock espera de uma noite como essa: volume alto, guitarras, baixo galopante, Bruce Dickinson correndo pelo palco, Steve Harris comandando tudo com seu baixo e uma produção visual gigantesca acompanhando cada momento do repertório.
Um bando de velhinhos rockeiros que ainda entrega tudo
É impossível não olhar para o palco e pensar no tempo que passou.
Bruce Dickinson tem 68 anos. Steve Harris, 70. Dave Murray, 70. Adrian Smith, 69. Janick Gers, 69. E, ainda assim, a impressão é de que ninguém contou isso para eles.
O Iron Maiden entra em cena com uma disposição que faria muito jovem passar vergonha.
Bruce corre de um lado para o outro, interage com a plateia e assume diferentes personagens ao longo da apresentação. Janick Gers transforma os momentos instrumentais em espetáculo, enquanto Steve Harris continua sendo o coração da banda, percorrendo o palco com seu baixo e mantendo tudo funcionando como uma máquina.
É uma banda veterana, mas definitivamente não é uma banda acomodada.
Uma superprodução para viajar pela história do Maiden
A Run For Your Lives não é apenas uma turnê comemorativa. O espetáculo foi construído para transportar o público para diferentes momentos da história do Iron Maiden.
E a produção visual ajuda muito nessa missão.
Praticamente cada música ganha uma ambientação própria, com cenários, iluminação, animações e elementos que conversam diretamente com a história das canções. Eddie aparece em diferentes versões, enquanto o palco muda constantemente de atmosfera.
O resultado é uma experiência visual impressionante, especialmente quando as imagens projetadas se combinam com músicas como “The Number of the Beast”, “Powerslave”, “Seventh Son of a Seventh Son” e “Rime of the Ancient Mariner”.
Não é apenas um show para ouvir. É um espetáculo para olhar, cantar e acompanhar a cada mudança de música.
Um setlist feito para os fãs da velha guarda
Se a produção percorre diferentes momentos da história da banda, o repertório é ainda mais generoso com quem acompanha o Maiden desde os primeiros anos.
A proposta da turnê é revisitar a fase clássica da carreira, e Curitiba recebeu uma sequência de músicas que faria qualquer fã de heavy metal perder a voz.
A apresentação começou com “Doctor Doctor”, do UFO, seguida por “The Ides of March”, antes de o Iron Maiden entrar definitivamente em cena com “Murders in the Rue Morgue”.
Depois vieram “Wrathchild” e “Killers”, resgatando a primeira fase da banda, antes de uma sequência que praticamente funciona como uma aula de história do heavy metal: “Phantom of the Opera”, “The Number of the Beast”, “Infinite Dreams”, “Powerslave”, “2 Minutes to Midnight” e o épico “Rime of the Ancient Mariner”.
“Run to the Hills”, “Seventh Son of a Seventh Son”, “The Trooper”, “Hallowed Be Thy Name” e “Iron Maiden” completaram a apresentação antes do bis.
E que bis.
Depois de “Churchill's Speech”, veio “Aces High”, seguida por dois dos maiores hinos da banda: “Fear of the Dark” e “Wasted Years”.
Para quem cresceu ouvindo Iron Maiden, é difícil pedir muito mais.
Setlist completo
Abertura
Doctor Doctor
The Ides of March
1. Murders in the Rue Morgue
2. Wrathchild
3. Killers
4. Phantom of the Opera
5. The Number of the Beast
6. Infinite Dreams
7. Powerslave
8. 2 Minutes to Midnight
9. Rime of the Ancient Mariner
10. Run to the Hills
11. Seventh Son of a Seventh Son
12. The Trooper
13. Hallowed Be Thy Name
14. Iron Maiden
Bis
Churchill's Speech
15. Aces High
16. Fear of the Dark
17. Wasted Years
Curitiba cantou junto
Mais do que assistir a um show do Iron Maiden, o público da Arena da Baixada parecia participar dele.
Os grandes refrões eram acompanhados por milhares de vozes, enquanto músicas como “Fear of the Dark”, “Run to the Hills”, “The Trooper” e “Wasted Years” transformavam o estádio em um gigantesco coro.
E talvez essa seja a melhor maneira de entender o que aconteceu em Curitiba.
O Iron Maiden já não precisa provar que é uma das maiores bandas de heavy metal de todos os tempos. O público que lotou a Arena já sabia disso antes mesmo de os primeiros acordes começarem.
O que a banda fez foi entregar uma noite à altura dessa história.
O Iron Maiden ainda sabe como fazer um show de rock
Existe algo especialmente bonito em assistir a uma banda com cinco décadas de estrada tocar com essa intensidade.
Não é nostalgia pura. É presente.
Bruce Dickinson continua comandando uma multidão. Steve Harris continua fazendo seu baixo soar como um motor. As guitarras de Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers continuam construindo algumas das melodias mais reconhecíveis do heavy metal. E Eddie continua aparecendo para lembrar que, em um show do Iron Maiden, sempre existe espaço para um pouco de teatralidade.
A diferença é que agora tudo isso acontece depois de 50 anos de história.
Na Arena da Baixada, o Iron Maiden mostrou que idade pode até aparecer na certidão de nascimento, mas não necessariamente chega ao palco.
Up the Irons! 🤘