A Odisseia reacende debate sobre IMAX e coloca Curitiba no centro da conversa cinematográfica brasileira

📅 Publicado: 2026-08-10T23:06:46.166Z ✍️ Autor: Adriano Hoffmann
A Odisseia reacende debate sobre IMAX e coloca Curitiba no centro da conversa cinematográfica brasileira

O filme que fez o mundo voltar a falar sobre IMAX

Quando Christopher Nolan anunciou que A Odisseia seria o primeiro longa-metragem da história filmado inteiramente com câmeras IMAX de película, a notícia rapidamente ultrapassou os círculos especializados e chegou ao grande público.

O motivo é simples: filmar em IMAX continua sendo um dos processos mais complexos e caros da indústria cinematográfica.

As câmeras utilizadas pesam cerca de 180 quilos, operam com enormes rolos de película de 70mm e, historicamente, produziam tanto ruído mecânico que eram consideradas inadequadas para cenas com diálogos. Para viabilizar a produção, equipes de engenharia desenvolveram novos sistemas de isolamento acústico que permitiram a Nolan utilizar o formato durante todo o filme.

O resultado é uma obra concebida para aproveitar ao máximo a capacidade visual do IMAX, entregando uma imagem com nível de detalhe muito superior ao encontrado nas produções digitais convencionais.

Mais do que um lançamento cinematográfico, A Odisseia se tornou uma vitrine para mostrar ao público a diferença entre os diversos tipos de salas IMAX existentes atualmente.


O que torna o IMAX 70mm tão especial?

O IMAX original utiliza película 70mm no formato conhecido como 15/70.

Cada quadro ocupa uma área quase dez vezes maior que a de uma película tradicional de 35mm, permitindo registrar uma quantidade impressionante de detalhes.

Além disso, o formato utiliza a proporção 1,43:1, muito mais alta do que a encontrada na maioria dos cinemas atuais.

Na prática, isso significa que o espectador vê uma imagem maior na vertical, ocupando quase todo o campo de visão.

É justamente essa combinação entre película gigante, resolução extremamente elevada e proporção ampliada que faz com que muitos considerem o IMAX 70mm a experiência cinematográfica definitiva.


Apenas 41 salas no mundo podem exibir essa experiência

Se a tecnologia impressiona, a raridade chama ainda mais atenção.

Atualmente existem apenas 41 salas IMAX 70mm em operação em todo o planeta.

Dessas, 25 estão localizadas nos Estados Unidos, concentradas principalmente em cidades como Nova York, Los Angeles, São Francisco e outras grandes regiões metropolitanas.

As demais estão distribuídas entre Canadá, Reino Unido, Austrália e alguns países europeus.

Nenhuma delas fica na América Latina.

Essa exclusividade ajuda a explicar por que os ingressos para as sessões de A Odisseia em IMAX 70mm se esgotaram rapidamente em diversos países, gerando filas virtuais, sessões extras e até exibições durante a madrugada para atender à demanda.


Por que o Brasil não possui uma sala IMAX 70mm?

A resposta está nos custos e na infraestrutura.

Os projetores IMAX 70mm são gigantescos equipamentos que podem ultrapassar duas toneladas de peso e exigem sistemas específicos de refrigeração e operação.

Além disso, as cópias físicas dos filmes são enormes.

Uma única cópia de A Odisseia em IMAX 70mm pode ultrapassar 17 quilômetros de película e pesar mais de 250 quilos.

Somam-se a isso os custos de produção, transporte e manutenção, além da necessidade de profissionais especializados para operar os equipamentos.

Por esse motivo, a expansão global do IMAX passou a ocorrer principalmente através das salas digitais, muito mais práticas e economicamente viáveis.


O Brasil possui apenas 12 salas IMAX

Apesar de não contar com IMAX 70mm, o Brasil possui atualmente 12 salas IMAX digitais em funcionamento, distribuídas por diferentes estados.

Essas salas utilizam sistemas digitais de projeção e oferecem uma experiência significativamente superior à encontrada em cinemas convencionais.

Entre elas estão unidades em São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife, Porto Alegre e outras capitais.

Embora nenhuma reproduza exatamente a experiência do IMAX 70mm, elas continuam sendo a melhor forma de assistir a filmes produzidos para o formato no país.


Curitiba possui a maior tela IMAX do Brasil

Dentro desse cenário nacional, Curitiba ocupa uma posição de destaque.

O IMAX Palladium, inaugurado em 2009, continua sendo a sala com a maior tela IMAX do Brasil.

Com aproximadamente 21 metros de largura, a estrutura supera inclusive algumas salas mais modernas instaladas posteriormente em outras capitais brasileiras.

Além do tamanho da tela, a sala conta com 347 lugares e foi projetada para proporcionar uma experiência de imersão muito acima dos padrões convencionais.

Mesmo diante da chegada de novos complexos IMAX pelo país, o Palladium mantém um diferencial importante: a escala física da experiência.

Para muitos especialistas, o tamanho da tela continua sendo um dos fatores mais impactantes da experiência IMAX.


São Paulo tem a tecnologia mais moderna, mas Curitiba tem a maior tela

A principal comparação atualmente acontece entre Curitiba e São Paulo.

O IMAX do Cinépolis JK Iguatemi, na capital paulista, utiliza tecnologia IMAX Laser, considerada uma das mais avançadas do mundo em projeção digital.

O sistema oferece brilho superior, contraste mais elevado, pretos mais profundos e um sofisticado sistema de som de 12 canais.

Por outro lado, a tela paulista possui dimensões menores do que a encontrada no IMAX Palladium.

Na prática, isso cria uma situação interessante:

São Paulo possui a tecnologia digital mais avançada.

Curitiba possui a maior tela IMAX do país.

São duas abordagens diferentes para alcançar a imersão que tornou a marca IMAX famosa.


E onde entra Nova York nessa história?

Quando o assunto é IMAX, a referência mundial continua sendo a sala do AMC Lincoln Square 13, em Manhattan.

Considerada uma das maiores salas IMAX do planeta, ela combina tela gigantesca, sistema IMAX GT Laser e capacidade para projeções em IMAX 70mm na proporção completa de 1,43:1.

É justamente uma das 41 salas raras que estão exibindo A Odisseia na configuração mais próxima possível daquela idealizada por Christopher Nolan.

Para os fãs mais apaixonados, trata-se de uma espécie de "Meca do cinema IMAX".


Afinal, vale a pena assistir A Odisseia no IMAX de Curitiba?

A resposta é simples: sim.

É verdade que o público brasileiro não tem acesso ao IMAX 70mm utilizado em algumas salas dos Estados Unidos e da Europa.

Mas isso não significa que a experiência nacional seja comum.

Muito pelo contrário.

Para quem vive no Sul do país, o IMAX Palladium oferece a melhor combinação possível entre tamanho de tela, imersão e qualidade audiovisual disponível atualmente.

Assistir a A Odisseia em uma tela de mais de 20 metros de largura continua sendo uma experiência muito superior à encontrada em salas convencionais.

E isso ajuda a explicar por que o filme segue atraindo público semanas após a estreia.


Curitiba continua sendo referência nacional em IMAX

O debate provocado por A Odisseia mostrou que nem todas as salas IMAX são iguais.

Existem diferenças de tecnologia, proporção de tela, resolução e infraestrutura.

Mas uma coisa permanece inalterada: Curitiba continua ocupando uma posição privilegiada no cenário brasileiro.

Enquanto o IMAX 70mm permanece restrito a apenas 41 salas espalhadas pelo mundo, sendo 25 delas nos Estados Unidos, a capital paranaense segue abrigando a maior tela IMAX do Brasil.

Para quem deseja experimentar a grandiosidade de um filme concebido para o formato, sem sair do país, o IMAX Palladium continua sendo uma das principais referências nacionais e, sem dúvida, a melhor experiência IMAX disponível em Curitiba.